Era
uma terça-feira de abril, de 2011. Eu estava ainda na vida de concurseira.
Acordei umas oito horas, mas bateu a “preguicinha” que fez com que eu dormisse
mais um pouco, graças ao SOS da homeopatia no dia anterior e das gotinhas
fitoterápicas para ajudar na ansiedade. Passaram duas horas e nem percebi, (e
ainda dizem que homeopatia não faz efeito). Era como se eu tivesse tomado um remédio
tarja preta na noite anterior, que me fez esquecer a importância daquele dia. Às dez horas eu despertei, e só então me dei
conta que já havia se passado duas horas que o resultado final do concurso
havia sido publicado. Pulei da cama, mas tentei manter a serenidade que eu
havia conseguido manter na véspera, afinal, o futuro já estava traçado, restava
apenas eu saber qual era. Mas, logo a serenidade deu lugar à ansiedade. A
primeira coisa que fiz quando cheguei à sala, foi ligar o computador que
demorava uns cinco minutos, tempo em que tentei pensar em outra coisa que não
fosse o resultado que iria resolver minha vida, ou não. Eu já estava formada há
mais de dois anos e os concursos para Nutricionista que eu prestava, apesar de
aprovada, não me chamavam, pois eu nunca ficava na 1º posição.
Assim
que o PC ligou, entrei direto no site do DOU (Diário oficial da União), e o
resultado final do processo seletivo já havia sido publicado. Passando por
vários cargos, finalmente cheguei ao cargo de Técnico de Administração e Controle
júnior Macaé. O resultado estava em ordem alfabética e, com o coração na mão, fui
direto à letra P para saber se meu nome estava na lista. Para minha surpresa,
ele estava! Priscila Fonte Mattos, 63º posição, aprovada!
Não
consegui conter as lágrimas por conta da forte emoção diante aquele resultado.
Lembrei-me dos momentos difíceis, cansativos e trabalhosos pelos quais passei até
chegar ali. Todas as horas diárias de estudos, todos os dias em que dormi e
acordei com os livros nas mãos, todos os momentos de desânimo, principalmente
na véspera da prova em que caí em desespero ao pensar que não havia me preparado
o suficiente. Porém, a média de 8h diárias de estudo nos dois meses anteriores
à prova, fez com que eu ficasse entre os 0,5% dos classificados. Para mim foi
uma grande vitória, pois apesar de ter sido a primeira vez que havia prestado
concurso para aquele cargo, a prova estava bem mais difícil do que as
anteriores. Tanto que a intenção da Petrobras era classificar 130 pessoas para
ficar no cadastro de reserva (dez vezes o número de vagas), e apenas 125
atingiram a nota de corte.
Sozinha
ali naquela sala, onde eu passava a maior parte do meu tempo estudando, isolada
como uma “estranha” introvertida, eu lembrei que havia conseguido realizar um
sonho que não era só meu, mas também da minha mãe, e sabia que ela estaria
muito orgulhosa se estivesse ali comigo naquele momento. Ela queria muito que
eu passasse em um concurso público, e essa passou a ser também minha vontade
desde 2002, quando prestei meu primeiro concurso para o TRF. A Petrobras passou
a ser meu sonho apenas em 2008, após ter concluído o ensino superior. Os
primeiros concursos que prestei, depois de formada, foram para o cargo de
Nutrição, o que também foi uma vitória em 2010, quando fui aprovada na 16º
posição. Mas não fui classificada, pois só classificaram cinco vezes o número
de vagas, ou seja, cinco pessoas. Portanto,
resolvi prestar concurso para um cargo que tivesse mais vagas, mesmo não sendo
na minha área. Era um cargo muito disputado que, apesar de ser de nível médio,
era preenchido, quase que em sua totalidade, por pessoas com graduação, devido
à complexidade das matérias, como administração e matemática financeira.
Mas,
por que meu sonho de “consumo” passou a ser trabalhar na Petrobras, se nada no
mundo do Petróleo me encantava? Eu poderia ter estudado e prestado concurso para
Técnico Judiciário, por exemplo.
Em
2008, meu “príncipe charmoso” (claro que tem que ter ele na história), passou
para o cargo de Engenheiro Civil e foi chamado para ocupar a vaga, porém
restavam dois meses para ele concluir sua segunda graduação em Engenharia, na
nossa “querida” Universidade, que não se propôs a fazer sua colação de grau um
pouquinho antes do tempo. Ele nem precisava das notas do último bimestre para
passar, sua média em todo curso era 9,8. Bastava apenas um pouco de boa vontade da Universidade
para contribuir para que ele começasse a trabalhar na Empresa dos sonhos de
qualquer recém-formado em Engenharia, na época. Então, ele não conseguiu entrar
na empresa como concursado por conta deste simples ”detalhe”. Foi quando descobri que a decepção e a raiva,
assim como a tristeza, nos fortalecem. Pelo menos comigo é assim que ocorre. A
partir de então, consegui ainda mais forças para estudar e conseguir entrar na
Empresa que eu gostaria que ele tivesse entrado. De certa forma, ele entrou,
como contratado. Quando assumi o cargo, em poucos meses após nos mudarmos, seu
currículo foi selecionado e ele trabalhou por alguns anos como Engenheiro Civil
dentro da Petrobras, o que lhe proporcionou grande aprendizado e experiência. E, assim como a maioria dos contratados,
estaria lá até hoje se não fosse a atual crise econômica.
Foi
por conta do inusitado acontecimento, do meu “príncipe” ter passado no Concurso
com vaga Nacional, que poderia ser para qualquer lugar do Brasil, que
resolvemos nos casar. Infelizmente, o concurso não deu certo, mas pelo menos o
casamento deu. Após assumir meu cargo na Petrobras, fomos morar numa cidade paraíso
(comparada com a nossa cidadezinha anterior), também no interior, mas com
praias e um clima inigualável. Nem muito frio, nem muito calor, sempre
agradável. Construímos uma linda história desde então, com dificuldades sim,
mas com muitas realizações. Uma união com imenso companheirismo e cumplicidade,
que somente as flores podem separar.

Comentários
Postar um comentário