"Pri, você é
uma irmã muito especial e eu te adoro. Gosto de desenhar e brincar de Barbie
com você. Espero que sempre sejamos boas irmãs e amigas. Milhares de beijos
para você. O autógrafo da sua irmãzinha que te ama (assinatura dela).
16/05/1999."
Há 18 anos, minha irmã mais nova deixou essa
mensagem para mim num caderninho (Diário da Priscila da TV Colosso), que tenho
guardado até hoje. Como descrevê-la? Um anjinho que entrou em minha vida quando
eu tinha oito anos de idade, e ela quatro. Lembro-me até hoje da conversa
particular que meu pai teve comigo para contar sobre ela, sem prever minha
reação. Mas, assim como a maioria das crianças, recebi a notícia com
naturalidade e empolgação. Queria conhecer logo alguém que eu já gostava, mesmo
sem ainda ter conhecido.
Me encantei com ela desde o primeiro momento que
a vi. Ela tinha cabelos de boneca, cachinhos dourados, olhos grandes, devido
aos óculos de grau, e um jeitinho muito carinhoso. Ela não saía do meu lado
quando ia me visitar, assistíamos filmes grudadas. Ela me fazia muitos desenhos
com declarações carinhosas. E quando eu
ia visitá-la, ela me recebia com o mesmo carinho e dedicação. Quanta coisa
aprendi com aquela irmãzinha que entrou na minha história para fazer morada,
com todo seu afeto, delicadeza e sensibilidade. Ela certamente deixou minha
infância e adolescência ainda mais colorida. Depois, ela cresceu, a vida tomou
novos rumos e nos distanciamos um pouco. Porém, apesar do pouco contato, a
frase do seu recadinho "Espero que sempre sejamos boas irmãs e
amigas" é recíproca. E nossos laços de sangue e de coração são mais forte
do que tudo. No fundo sabemos que podemos contar uma com a outra sempre... pois
as crianças que fomos continuam guardadas em nossos corações.
Também tive minha infância e adolescência marcada
pela presença constante das minhas primas mais novas, das amigas do lugar onde
morava, e das amigas de Volta Redonda, que encontrava todos os finais de
semana. Época boa, com lindas e engraçadas recordações.
Uma vez, fomos todos a Lambari - MG, para a casa
dos familiares das amigas de Volta Redonda. Cidade do interior, com muito
verde, montanhas e uma deliciosa água mineral natural. Não sei por qual motivo cismamos
de fazer um piquenique próximo ao casarão antigo onde ficamos hospedadas.
Pegamos tudo que havíamos encontrado de comer e mais os utensílios que precisaríamos
utilizar. No meio do caminho, carregando as bolsas pesadas, percebemos o
exagero que havíamos cometido ao levar tanta coisa para um simples piquenique. Havia
muita coisa que certamente não utilizaríamos. - “Acho que trouxemos tudo da
cozinha. Só faltava trazer o coador!” Alguém disse. Foi quando minha prima Dai
nos olhou com a maior cara de sapeca e mostrou o coador que havia pegado e
levado escondido. “Então não falta nada!” Ela disse. Naquele momento todas nós
rimos tanto que já valeu pela viagem inteira. O momento do piquenique em si não
me recordo, apenas do ocorrido no caminho até lá. Nesse dia percebi que a
felicidade realmente está no caminho, nos pequenos detalhes, e nos especiais momentos
com as pessoas queridas.
Além das incansáveis brincadeiras de Barbie, onde
tínhamos personagens fixos nas bonecas, como numa novela, nossa infância foi
marcada também pelas Spice Girls. Eu criava versões das músicas e, além de
cantarmos em casa, eu e minhas primas nos apresentávamos nas festinhas da igreja da cidade. Até
que teve um dia que fizemos uma terrível apresentação, devido à péssima
qualidade do som, e não à falta de talento nosso. Saímos traumatizadas e
desistimos da carreira de cantoras “apimentadas”.
Lembro-me também do dia em que meu tio, irmão da
minha mãe e pai das minhas queridas priminhas, faleceu, aos 33 anos. Foi um
momento muito difícil para todos nós, principalmente para elas. A única coisa
que consegui dizer para “consolá-las” é que o pai delas havia ido para o céu, o
que costumamos falar para qualquer criança. Não sei como é o “céu”, mas hoje
tenho certeza que minha mãe está lá junto com ele, ao lado do seu irmão caçula
e do mais velho que também partiu há pouco tempo. E o que me console
hoje é perceber que a morte talvez seja realmente como uma viagem. A hora da
despedida de um lado é a mesma do encontro do outro lado.

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