Cap XV - Meu eu-criança


                “Por favor, feche os olhos e se imagine criança, diante de você. Como você (criança) está se olhando? Qual é a expressão de seus olhos? Como você se sentiria nesse momento, se a apanhasse e a colocasse no colo e apenas a abraçasse, deixando os seus braços lhe dizerem que ela está segura, que você agora está presente, que ela afinal pode contar com você e confiar em você?”

                Às vezes, é preciso vivenciar nosso eu-criança como uma identidade separada, para verificarmos nossas cobranças com relação a nós mesmos e recordarmos do nosso propósito nessa vida.

                Quando se olha no espelho você se acha uma pessoa desinteressante? Muito gorda ou muito magra? Cheia de defeitos? E costuma apontar esses defeitos para você mesma de uma forma agressiva? E para essa criança que colocou no colo? Falaria da mesma forma insensível? Ou seria uma pessoa mais carinhosa e compreensiva?

                Devemos nos cobrar menos e nos amar mais. Assim conseguimos alcançar nossos objetivos mais rapidamente e sem grandes transtornos.

                E se você pudesse perguntar para o seu eu-criança o que ela gostaria de ser quando crescer? A resposta dela espelha você? Você se tornou exatamente aquilo que ela gostaria de ser? Se você disse “sim”, faz parte de uma minoria que leva a vida de forma leve, alegre e satisfatória. Agora, se a resposta for “não”, talvez esteja na hora de seguir novos rumos, traçando pequenas metas para atingir esse propósito, pelo caminho que denominamos de felicidade.

                O livro “Como aprender a gostar de si mesmo”, de Nathaniel Branden, diz que se completarmos essas sentenças abaixo para os “eus” de cinco a doze anos de idade, realizamos um milagre de autocura (ou autodescoberta).

Quando eu tinha 5 anos...
Uma das coisas de que meu eu de 5 anos precisa de mim e nunca conseguiu é...
Quando meu eu de 5 anos tenta falar comigo...
Se eu estivesse disposto a ouvir o meu eu de 5 anos com aceitação e simpatia...
Se eu me recusasse a dar apoio ao meu eu de 5 anos...
Quando penso em estender a mão para ajudar o meu eu de 5 anos...

                “Usando qualquer tipo de imagem mental que funcione para você – sensações visuais, auditivas ou cenestésicas – crie a sensação de que o seu eu-criança está diante de você. Então, sem dizer nada, imagine estar segurando essa criança nos braços, abraçando-a e acariciando-a suavemente, para ficar numa relação amorosa com ela. Permita que a criança reaja ou não. Continue firme e gentil. Deixe que o toque de suas mãos, de seus braços e do seu peito transmita a aceitação, a simpatia, o respeito.”

                Através de exercícios como esses que percebi que eu estava bastante desconectada do meu eu-criança. Foi quando retornei para o caminho das artes, como escrever, por exemplo. Se havia uma coisa que meu eu-criança adorava e nunca se cansava de fazer, era brincar de representar, de cantar, de dançar, de escrever, de criar, etc., mesmo que fosse dentro das brincadeiras de boneca.

                E você? O que o seu eu-criança está pedindo para que volte a fazer? Entre em contato com ele, relembre, explore o que tem aí dentro. Chega de mantermos conexões apenas com o meio externo na correria do dia a dia. Vamos nos conectar mais com nosso interior. Chega de tristezas e incertezas. Vamos nos reconectar com nossa própria alma!



Comentários