O combinado era de nos encontrarmos no shopping da cidade vizinha. O restaurante ficava próximo. Cheguei lá
acompanhada da minha fiel companheira, a ansiedade. Atravessei passando próximo
à escada rolante indo em direção à saída dos fundos e logo o encontrei, com o
meu presente na mão. Cumprimentamo-nos e ele me entregou quatro cds gravados
com músicas selecionadas por ele, sendo que um deles era do Roupa Nova com a
“nossa música”. Esses cds me fizeram companhia por muitas noites, nas quais
dormia ouvindo as românticas melodias. Agradeci o simples
presente do meu “príncipe charmoso” e fomos para a pizzaria. A pizza foi minha
preferida, de frango com catupiri. Não sei se é pelo fato de ter sido a
primeira, mas essa continua sendo nossa primeira opção até hoje. O restaurante
estava bem vazio, talvez por ter sido dia de semana, o que foi ótimo, pois
ficamos bastante à vontade para conversarmos.
Respondendo ao meu enorme interrogatório, ele me contou tudo sobre sua vida atual e sobre seu antigo casamento, o qual chamava de “vida passada”. E a cada momento em que eu conhecia mais sobre ele, mais me encantava e mais me assustava com a dificuldade que seria iniciar um relacionamento que iria contrariar muitas pessoas. Mas, depois de tudo o que eu havia passado, a única coisa que me importava era o meu sentimento, ou melhor, os nossos sentimentos, pois eu já sabia que era recíproco, embora ele ainda não soubesse.
Respondendo ao meu enorme interrogatório, ele me contou tudo sobre sua vida atual e sobre seu antigo casamento, o qual chamava de “vida passada”. E a cada momento em que eu conhecia mais sobre ele, mais me encantava e mais me assustava com a dificuldade que seria iniciar um relacionamento que iria contrariar muitas pessoas. Mas, depois de tudo o que eu havia passado, a única coisa que me importava era o meu sentimento, ou melhor, os nossos sentimentos, pois eu já sabia que era recíproco, embora ele ainda não soubesse.
No meio da nossa agradável conversa e
da saborosa pizza, passou uma moça vendendo botões de rosas dentro do
restaurante. Ele então me presentou com uma rosa vermelha, o que me deu ainda
mais coragem para me abrir sobre meus sentimentos, embora ainda não soubesse
como iria fazê-lo. Terminamos de comer a
pizza e fomos passear em uma praça que ficava lá perto. Caminhamos contornando
um chafariz sentindo o terrível frio de início de inverno daquela cidade do
interior. Mas eu não conseguia me concentrar mais na conversa e muito menos no frio, pois estava tentando imaginar uma maneira de driblar minha timidez e dar
a resposta tão esperada a ele. Paramos próximo a um banquinho quando ele puxou
o assunto. Para minha sorte não precisei iniciar aquele assunto, apenas
responder.
- Pensou no meu
pedido? – Ele me perguntou após tomar coragem.
- Sim.
- Qual é a
resposta?
- Acho que você
já sabe... Senão eu não estaria aqui com você. – Juro que não consegui pensar
em nada melhor para dizer diante de tanto nervosismo. Pelo menos falei
sorrindo, o que fez com que ele também sorrisse. Mas sua expressão foi de
surpresa. Ele confessou que já estava preparado para um “não”, e como não
havíamos tocado no assunto antes, já tinha se conformado apenas com minha
amizade. E naquele momento, eu também fiquei surpresa com seu pessimismo. Eu
não sabia que minha timidez passava a impressão de eu ser uma pessoa
extremamente difícil.
Após minha
resposta indireta, ele se sentiu mais à vontade e perguntou se podia me beijar.
Eu consenti e, muito sem jeito, encaixando a fantasia na realidade, aconteceu
nosso primeiro beijo. Um beijo que, Deus do céu, foi um desastre! Constatei
naquela hora que ambos estávamos bastante destreinados. A partir de então passamos a treinar bastante. E a lembrança deste mágico momento, gerou esta crônica:
Sabe aquele amor?
Sabe aquele amor que quando encontra a
pessoa pela primeira vez tem a impressão de reencontro? Como se já se
conhecessem durante milênios? Onde o primeiro abraço causa a sensação de que um
corpo se misturou no outro e no primeiro beijo os lábios se encaixam e as
línguas se acariciam perfeitamente? Sabe aquela sensação de total sintonia?
Então... Eu não sei. Não conheço. Nunca vivi. Apesar disso, acredito que ela
exista sim na vida real, além das novelas.
Mas acredito principalmente naquele amor que
se constrói a cada dia, que surge e aumenta a cada momento de convivência.
Aquele que o primeiro abraço é tímido e até frio de tanto pudor. Aquele em que
o primeiro beijo é um horror, mas que melhora com a prática. Aquele que deixa o
corpo estático na hora que tem que agir, e as coisas nunca saem conforme se
imagina. Aquele em que a gente precisa aos poucos encaixar a fantasia na
realidade, e assim criar uma história de verdade, onde se vivencia o que antes
só existia na nossa mente.
Apesar de parecer o contrário, acredito que
o segundo seja mais profundo que o primeiro, além de ser o mais comum. Um relacionamento que já começa perfeito é um
sonho lindo, e até acredito que seja usual em outros mundos, mas nesse em que
conheço não é. E talvez a maior graça divina dos relacionamentos, e o maior
objetivo, seja tentar alcançar a perfeição juntos, no entrelaçar de nossas
vivências e desafio das convivências.

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