Cap. XIII - Faz uma poesia pra mim?



- Faz uma poesia pra mim? – Perguntei com uma voz doce de pidona.
Ele arregalou os olhos como seu eu o tivesse pegado de surpresa.
- Mas eu não sou poeta...
- Ah só uma. Para expressar o que sente. Faz?!
- Tá bom. Vou tentar...

                Esse pedido ocorreu nos primeiros meses de namoro. Eu escrevia poesias desde criança, muito mal, mas escrevia. É uma forma dos tímidos reservados expressarem sentimentos que dificilmente expressamos oralmente, e desabafar quando algumas emoções surgem, mesmo sem fazerem parte de nós. Eu gostava mesmo era de escrever letras de músicas, cheguei até a compor algumas notas e tocar no teclado uma que foi feita para uma paixão platônica da adolescência. Não me lembro de quem foi o “alvo” (a adolescência de uma tímida é composta de tantas paixões platônicas que a gente até esquece), mas lembro-me da letra e do ritmo que criei. Eu devia estar muito decepcionada com minha paixão platônica daquele momento quando escrevi essa letra, aos meus quinze anos de idade.

Meu amor por você morreu

Não vai mais ser assim
Gostar de quem não gosta de mim
A vida é tão passageira
Não podemos dar bobeira
Ficar guardando segredos
Dentro de um coração só
Agora só vou gostar
De quem provar me amar
Quem não me quer não me merece
Por isso sempre me esquece
Podia ser a mil maravilhas
O garoto da minha vida
Mas não é...
Não quer mais quem não me quer
Chega de bobeira
Fantasiar momento pra vida inteira
Chega de brincadeira
Porque quem vai se dar mal aí só ou
Chega estou fora
Nada disso valeu
Nem vai valer
Porque meu amor por você
Morreu

                Criei uma sequência de notas simples para tocar no teclado e cantar no clima que hoje chamamos de “sofrência”. Se fosse hoje em dia, talvez até pudesse virar um sertanejo.

                Desde criança, gostava de transformar as tristezas, decepções e alegrias em arte. Mais ou menos aos sete anos de idade criei a primeira letra e ritmo de uma música que, infelizmente, não deixei registrado em nenhum papel, tenho apenas uma vaga lembrança: “Essa flor que tem no campo, que tem na mesa do beija-flor... Me dá uma flor, me dá outra aqui, porque tem gente querendo roubar o meu amor.” Parece que as flores me “atormentavam” desde cedo, assim como as "paixonites” platônicas.

                Então, naquele início de namoro, vivendo uma linda paixão recíproca, eu queria vê-la expressada um pouquinho em arte, embora ela já tivesse nascido da arte. Foi quando meu príncipe charmoso escreveu essa poesia por livre e espontânea pressão. E não é que ficou bonita! Fiquei até com vergonha da simplesinha que eu havia escrito para ele.

Você – Priscila

Ah! O brilho dos teus olhos
Penetraram fundo em Minh ‘alma
Em mim trazendo a calma
Quando pela primeira vez os vi
Não sei bem o que senti
Ah! O brilho dos teus olhos

Ah! Quando os teus lábios
Uns lindos sorrisos formaram
E em seguida me cativaram
Um arco-íris de luz e cor
No meu coração se formou
Ah! Quando os teus lábios

Ah! Você em minha vida apareceu
Fez morada no meu coração
Chegou de mansinho
Bem devagarinho
E acendeu a minha paixão
Ah! Você em minha vida apareceu

Ah! Como é bom te amar
Estar do seu lado, ganhar o seu afago
Sentir o seu calor, no seu abraço
Desfrutar do teu carinho, no seu beijo
Nutrir-me no cheiro do seu desejo
Ah! Como é bom te amar



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