Cap. XVIII – Que graça fazemos para o mundo?


                Depois que descobri que faço parte do grande percentual de pessoas da minha geração que possuem ansiedade generalizada, comecei a pesquisar artigos e vídeos de autoconhecimento na internet. Afinal, temos que aproveitar o lado bom da internet para fazermos a maior caridade: Conhecer e ajudar a nós mesmos, para que possamos ajudar aos outros.
                Dentre vários canais que sigo de analistas psiquiatras, psicólogos e coaches de relacionamentos, tem o do Dr. Peter Liu, da medicina oriental. Achei interessante quando, em um dos seus vídeos, ele disse que se ficamos deprimidos devemos dar “graças a Deus”, pois temos uma missão que não é animal, e sim social, ou para Deus.

                Uma missão animal é comer, dormir e procriar. Está relacionada aos prazeres diretos, direcionada apenas a nós mesmos. Já uma missão social, está relacionada aos prazeres indiretos, os quais direcionamos para os outros, exercendo a caridade e a solidariedade.

                Nós temos sete principais chacras (canais condutores da energia no organismo). São eles: Básico, Sexual, Plexo Solar, Cardíaco, Laríngeo, Frontal e Coronário. Quando estamos deprimidos, os chacras dos prazeres diretos (Básico, Sexual, Plexo Solar) são “desligados”. Portanto, precisamos ligar os chacras dos prazeres indiretos, que são os do coração para cima (Cardíaco, Laríngeo, Frontal e Coronário).

                “Ligar” esses chacras significa não viver apenas para nós mesmos, realizando nossos próprios desejos, e sim viver também para os outros. “Fazer aos outros aquilo que gostaríamos que nos fizessem.” Esse é um grau mais elevado de prazer que, apesar de ser mais difícil começar a fazer, sempre retorna para nós com uma intensidade muito maior do que a dos prazeres diretos.

                Quando estamos deprimidos, costumamos pensar “O mundo para mim não tem mais graça.” “O que posso esperar do mundo?” Porém, nessas horas, tente pensar o que o mundo espera de você. O quanto as pessoas queridas esperam de você. O quanto é importante para elas que esteja vivo(a) e bem!

                Quando pensamos apenas em nós mesmos, desligamos nossos chacras mais elevados, e não percebemos a graça que está no outro. Ser capaz de fazer alguém sorrir, de fazer alguém feliz, de encantar alguém, é conseguir enxergar a graça além de nós mesmos.

                Construir um novo projeto de vida para beneficiar aos outros e a nós mesmos, não é tarefa fácil. Quando precisamos de ideias construtivas, elas não aparecem. Ao contrário das destrutivas, que parecem brotar com facilidade. Porém, o caminho mais desafiador costuma ser o melhor e o mais compensador.

                Então quando pensarmos que o mundo não tem graça, devemos construir o hábito de trocar esse pensamento para: “Que graça fazemos para o mundo?” “Que graça fazemos para os outros?” “Que graça fazemos para Deus?”

                Levanta e age, faça os outros felizes, então a felicidade chegará até você em dobro!

                Essa foi a mensagem do Dr. Peter Liu, a qual transformei em artigo para publicar no meu blog “Recordando a luz”.  Assim como todos nós somos providos de luz, também somos providos de graça, mesmo que, às vezes, pareça bem escondida.

                Dizem que uma das maiores armas contra a depressão e ansiedade é praticar a caridade. Porém muitas pessoas confundem caridade com solidariedade social, dizendo não terem condições de praticá-la. Não sabem que a verdadeira caridade está contida nas coisas mais simples, como num sorriso, por exemplo.

                Para ajudar a mim mesma a recordar isso, publiquei esse artigo abaixo no meu blog. Fiquei muito feliz quando me tornei colunista do site “O Segredo”, e ele foi publicado como meu primeiro artigo.

                Caridade ou solidariedade social?

                É muito comum confundirmos caridade com solidariedade social. Quando falamos em caridade, logo nos vem à mente a doação de bens materiais de uma forma individual ou coletiva. Mas, sermos solidários não é o mesmo que sermos caridosos. A solidariedade é um estímulo, uma maneira maravilhosa de expressão do bem, para tornar o ambiente em que vivemos um local menos desigual, socialmente falando. Já a caridade, vai além... A caridade vem de dentro e, normalmente, é invisível perante os olhos da sociedade. Às vezes não é nem perceptível para quem já a faz de maneira natural, e imperceptível também, apesar de muito trabalhosa, para aqueles que a fazem em silêncio, no árduo processo de reforma íntima.

                Caridade é gentileza, é sorrir num simples bom dia, boa tarde ou boa noite, mesmo que a gente se sinta péssimo por dentro, por não querermos contagiar negativamente os outros com nossos problemas; é ficarmos quietos quando tivermos vontade de retrucar uma ofensa; é sentirmos compaixão ao invés de raiva; é não falarmos mal da vida alheia, mesmo quando a “língua coçar”, é conseguirmos fazer a fofoca morrer em nós; é elogiar ao invés de julgar ou simplesmente não falar quando não há nada bom a dizer; é ter sensibilidade; é não disseminar discórdia e sim harmonia; é não matar sonhos alheios, é enxergar o bem sempre, mesmo quando ele estiver bastante escondido; é conseguir reparar os próprios erros e perdoar os erros pelos outros cometidos.

                A solidariedade modifica o ambiente exterior, tornando o mundo um lugar melhor para viver, mas não deve ser confundida com caridade, que é uma modificação do universo interior refletida em singelos gestos cotidianos, que não espera recompensas (nem divina), nem agradecimentos. Caridade é simplesmente aceitar as pessoas como elas são, é fazer prevalecer a razão quando o instinto falar alto, é carinho ("tocar o mundo do outro com respeito"), é olhar com os olhos da alma, sem interferência do próprio ego. É desde sorrir de uma piada sem graça para dar a graça, até se afastar de quem ama para libertar. Caridade não é doar o que tem, é se doar... Caridade é amar.




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