Ponta de lápis, escrevo amor à vista
Viajei de mar acima
Te encontrei em Maceió
Minha Sereia, Ponta Verde, Pajuçara...
Os teus braços me embalam
Saudade de Maceió
"M" de mar
"A" de amor
"C" de carinho, sol e mar de Maceió
"E" de eterno
"I" de ilusão
"Ó", Maceió, você roubou meu coração!
Ai, que saudades do céu, do sal, do sol de Maceió!
Alguns dias antes da nossa viagem de Lua de mel, eu já havia decorado o “hino” de Maceió. Nos sites de turismos onde fiz orçamentos, em todos os comentários de pessoas que já haviam visitado a cidade, estava lá a música destacada. A cada dia que se aproximava me sentia mais entusiasmada! Fechamos o hotel e os passeios com a agência mais recomendada e, logo no primeiro dia de passeio, no ônibus de turismo a caminho da praia do Francês, a guia turística, após cantar o hino de Maceió obviamente, disse com muita ênfase:
- Gente, quem está vindo pela primeira vez não coma o sururu! - Ela contou uma história superengraçada, destacando que muita gente que comia o sururu passava mal.
Não sei porquê, mas na mesma hora que ela falou aquilo me senti desafiada a comer o tal sururu. “Eu como mexilhão desde criança” – Pensei. “Não será um bichinho da mesma família e bem menor que o mexilhão que me fará mal”. E prosseguimos com a viagem. Chegando à praia, aproveitamos bastante o mar azul, que parecia uma piscina por conta dos recifes e da maré baixa do lado esquerdo da praia. No lado direito, onde não tinha recifes, haviam surfistas e lindos coqueirais. Depois de bastante tempo, por conta do "tá lento" alagoano, fomos almoçar. Comemos uma caldeirada de frutos do mar, dentre eles o sururu. Estava tudo delicioso! Aproveitamos mais um pouco da tarde naquela tranquila praia e retornamos ao hotel para descansarmos para o passeio do próximo dia, que seria Maragogi (um pouco mais longe).
Quando chegamos no hotel, pedi um Nescau e um misto quente, pois não havia comido mais nada após o almoço. Uns 20 minutos depois do lanche, o sufoco começou... Juro que até hoje penso que pode ter sido o Nescau ou o misto quente que quase me matou, mas algo lá no fundo me diz que o sururu que foi o culpado, ou pelo menos levou toda a culpa na história. Parecia que tudo que comi aquele dia queria sair de uma vez só, tanto por baixo quanto por cima. Chegou um momento que eu já estava tão fraca que não aguentava mais vomitar. Meu príncipe charmoso que me ajudou! Ele segurou minha testa nas crises de vômito, o que me fez sentir protegida, além de muito envergonhada obviamente. Em plena lua de mel, passei mal como nunca havia passado na minha vida (e olha que na adolescência tive muitas crises de gastrite nervosa, de ir parar em pronto socorro). E a única pessoa que poderia me ajudar ali era ele, meu recém esposo. Ao mesmo tempo em que eu queria sumir de tanta vergonha por ele me ver naquele estado, eu agradecia por ter me casado com uma pessoa que não saiu do meu lado, naquele terrível momento, e sim se manteve calmo e prestativo. Quando o vômito deu uma trégua, chamamos um táxi para continuar o tour pela cidade, só que dessa vez até o hospital e no meio de um temporal. Eu precisava urgentemente de soro na veia e remédio para enjoo. Já estava fraca e pálida ao ponto de desmaiar de tanta água (eletrólitos) que havia perdido.
Chegando na emergência do hospital, coloquei um pouco mais do que havia comido para fora antes de ser atendia. Meu corpo queria se livrar de tudo que estava no meu sistema digestivo. Eu não acreditava que estava passando por aquilo em plena lua de mel! Mas, naquela hora eu não conseguia pensar em nada mais, apenas ficar bem e tentar não desmaiar. Após o atendimento médico, já deitada na maca e "tomando" soro, eu já me sentia melhor, até entrar pela minha veia o maldito plasil. Foi aí que descobri que o sufoco não havia terminado, e sim apenas começado! Tive uma reação extrapiramidal. Isso sim, quem já teve nunca esquece.
Deitada na maca, sem força quase nenhuma ainda, começaram os sintomas de agitação (vontade incontrolável de ir embora, de sumir), uma sensação estranha de aperto no peito, falta de ar, angústia, ansiedade, sensação de falta de autocontrole, movimentos involuntários dos braços, pernas, dedos, lábios, pálpebras, alterações na fala, etc. Eu havia ido ao pronto socorro para me recuperar e não para acabarem de me matar! Pois parecia que era isso que eles queriam fazer quando injetaram o plasil na minha veia, sem informar sobre esses possíveis efeitos colaterais (o que ainda é muito comum nos prontos socorros). Minha sorte era que, mais uma vez, meu príncipe, que eu já havia trocado a denominação para anjo, estava lá para me "acudir", dizer que aquilo já ia passar, e não me deixou arrancar tudo do braço e sair correndo dali, mesmo sem forças. Eu preferia desmaiar de vomitar do que ter aquela sensação de morte que eu estava tendo naquele momento. Que arrependimento de ter ido lá! Mas, depois de alguns minutos, que pareceram horas, os sintomas foram amenizando, eu fui voltando a respirar normalmente até tudo passar. O resultado é que no outro dia perdemos o melhor passeio, que seria o das piscinas naturais de Maragogi. Ficamos pela Pajuçara tomando só água de coco e comendo tapioca com queijo coalho (sem gordura) até que eu me recuperasse.
Nos outros passeios conseguimos ir e aproveitar bastante, pois eu já estava quase 100%. Fomos à Praia do Gunga, Dunas de Marapé e piscinas naturais da Pajuçara, mesmo com a maré alta, só para comer lagosta, e no último dia de passeio fomos até à Foz do Rio São Fransciso. A noite fomos num forró e numa peça de teatro maravilhosa, onde os atores eram os próprios guias turísticos, que me fizeram chorar de rir quando disseram em cena que não aguentavam mais ouvir o hino "Ai que saudade do céu, do sal, do sol de Maceió...". Se eu, com três dias lá já não aguentava mais, imagina eles que ouviam aquela música todos os dias a nem sei quantos anos. Ufa! Conseguimos salvar o restante da traumatizante lua de mel. Tirando aquele primeiro dia, os outros foram maravilhosos!
Dizem que a gente só tem certeza do amor do outro no momento em que mais precisamos dele. Naquela viagem, eu precisei do meu companheiro, como somente havia precisado dos meus pais para me acudirem nos piores momentos que já havia passado na vida (como nos momentos de crises de dor antes da cirurgia de torção de cisto no ovário, por exemplo).
Ainda não foi daquela vez, o sururu não conseguiu me matar, apenas me colocar para a estatística de mais uma história que os guias teriam para contar. Mas, se tivesse chegado minha hora, se eu tivesse morrido naquele hospital de Maceió por conta de uma grave intoxicação alimentar, apesar de tudo, eu chegaria do outro lado grata por ter tido a certeza de ter me casado com um anjo, que foi muito mais que um príncipe charmoso na minha lua de mel. Ele foi meu companheiro, pai, mãe, amigo, marido e amante. Ele não era como eu pensava, era muito mais! Com apenas dois dias de casados eu já havia descoberto o significado de "na saúde e na doença".
Enfim, fica a dica, quem tiver problemas de gastrite como eu tinha na época quando fui à Maceió pela primeira vez, não comam o danado do Sururu!
"Ai, que saudades do céu, do sal, do sol de Maceió!" (Só disso)

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